Pensando sobre aprendizado de uma nova língua
- psijuliasuleiman
- 16 de jul.
- 3 min de leitura

Você já parou pra pensar que no que diz respeito à digestão do nosso corpo, não importa o quanto a gente queira apressar o processo, é impossível conseguirmos acelerá-lo? Acredito que no tocante ao aprendizado nosso corpo inteiro funciona da mesma maneira, o que você aprende será digerido pelo seu cérebro e chega uma hora que por mais resolvida que esteja a apressar o processo, as coisas não poderão ser controladas para irem mais rápido.
Digo isso não só no sentido de você se respeitar por estar aprendendo, mas também na intensidade em que se estuda. O corpo e o cérebro precisam de descanso: depois de um certo tempo de estudos, é preciso dar uma pausa para permitir que tudo seja assimilado. Então tenha paciência consigo mesma. Seja pra assimilar as coisas, seja no ritmo de estudos, confie no processo!
Pensando em uma criança pequena novamente, ela leva em média 1 ano e meio para falar (estando 100% do tempo inserida e sem ter uma outra referência de língua anterior), e durante muitos anos após o início da fala, ela ainda estará descobrindo novas palavras, expressões e, muitas vezes, vai acabar cometendo os mesmos erros. A alfabetização só vai acontecer lá pelos 6 anos (dependendo do ensino) e isso também levará mais alguns anos para estar de fato bem assimilado. Não estou dizendo que levaremos todo esse tempo para dominar uma língua nova, mas faço essa comparação para que a gente se lembre de que é preciso ter paciência e recordarmos que estar “no caminho” não é ruim, pois o aprendizado é um processo!
Orgulhe-se do seu jeito de falar
Quando aprendemos uma nova língua é muito comum fazermos de tudo para não termos um sotaque, mas a verdade é que poucas são as pessoas que conseguem erradicá-lo completamente e não há mal nenhum em ter um jeito próprio de falar. É importante lembrar que existe uma grande diferença entre ter um sotaque e falar errado!
Se pensarmos em um país como um todo, por exemplo, as pessoas têm sotaques muito diferentes, dependendo da região de onde vêm e isso não é um impeditivo para se comunicarem, muito pelo contrário, acaba sendo uma característica a mais da pessoa e não necessariamente algo negativo!
O jeito de falar remete à origem pessoal e, a meu ver, colocando em outras palavras, nossos sotaques significam que temos a história de pessoas corajosas que resolveram se desafiar e aprender algo novo! A grande maioria dos franceses não consegue se virar em inglês ou em qualquer outro idioma. Ou seja, se formos olhar com outros olhos, quem está em vantagem aí somos nós, que estamos nos arriscando em um novo lugar, ao invés de continuarmos estagnados.
Muitas vezes quando ouvimos alguém comentar sobre o nosso jeito de falar, temos a tendência de nos entristecer porque acabamos vendo isso como uma crítica. No entanto, apesar de não podermos mudar o jeito ou o que as pessoas irão dizer, podemos mudar a forma como vai nos impactar. Penso que quando isso acontecer, podemos aproveitar pra contar um pouco da nossa história, de como foi que você chegou onde você está, se não for o caso, acredito que podemos nos lembrar de como chegamos àquele momento e como já evoluímos nessa caminhada de conhecimento e aprimoramento de uma nova língua.
Apesar de ser difícil se lembrar todo dia de como está sendo a caminhada e poder olhar o quão longe já chegamos, acho que é possível colocar esse hábito em prática: o de reconhecer como tem sido a nossa evolução. Dessa forma, acredito que a relação com as línguas que precisamos aprender nessa vida de imigrantes pode ser mais leve!
Texto escrito por mim originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo



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